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LC – Nº Zero Zero
 
 

Últimas reações a respeito do dossiê do Point
Michel Schneider defendido por Gérard Miller
A distribuição de Lacan Diário
Domingo 21 de agosto de 2011
17H 05 [GMT+1]

Gérard Miller de Londres
De Londres, aonde cheguei há pouco, eu li em Lacan Cotidiano as primeiras reações ao artigo de Michel Schneider, e achei muito injusto que nenhuma delas sublinhasse a posição original do autor.
Sabendo-se que numa crítica é geralmente alguém que fala bem do que conhece mal (cf. Henri Jeanson), Michel Schneider conseguiu, ao contrário, a proeza de falar mal do que ele é suposto, como psicanalista, conhecer bem.
E ele conseguiu tão bem seu objetivo que ninguém poderia pretender (salvo se fosse de má fé) que um crítico, que nunca viu um divã e não entende nada de Lacan, pudesse ter feito pior.
Embora minha mensagem se oponha às que foram recebidas até agora, espero, entretanto, que ela possa ser publicada, porque Lacan Cotidiano teria a dignidade de difundir opiniões contraditórias. -

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Nathalie Georges-Lambrichs, de férias no Yonne
O que é que faz deslizar "a pena" Michel Schneider? "Louco, segundo diversos depoimentos", escreve ele, a respeito de Lacan. Ele que tão finamente escreveu sobre Glenn Gould (é preciso verificar isso), de quem eu apreciara também as Blessures de mémoire, Michel Schneider não se tornou, então, muito econômico, quanto ao estilo e ao uso, com os significantes mestres da psicanálise.
Por que afinal, "louco", quando a palavra é lançada, vai distanciá-lo do avesso, para dizer que " este não é o problema"? No entanto, ele o faz. Quanto a "preferir" Proust a Lacan, é o cúmulo da decadência, de um e de outro, atingidos por esses efeitos que buscam facilidade e produzem confusão, tudo isto, para nos dizer que o amor, ele o faz com freqüência... É emocionante. Ele não recua diante de "tratar um paciente", não tendo o cuidado de distanciar este significante tão mal empregado com a promoção dos cuidados psíquicos, em todos os sentidos, com que a psicanálise faz limite à impostura.
Ele se apresenta com o que está escrito na página 70 da revista, que cita as páginas 74 e 75 de Falo aos muros: "Tudo o que se escreve reforça o muro".
Claude Imbert, em seu editorial, revela "nosso" pecado ético no seio da economia política da qual sofremos e gozamos. A histérica dissimula sua dívida, escreve, que ela seja do tipo crédula ou desconfiada. A psicanálise impulsiona a pagar sobretudo para daí apreender o fundamento e o contorno. Este muro que cada um atravessa, como se virar com ele? A quem isto beneficia? Resta efetivamente este crédito, que Lacan ofereceu à psicanálise, da qual nos ocupamos, tanto quanto somos os responsáveis de seu possível descrédito. Tanto um quanto outro nos obrigam exclusivamente, pois como "benefício comum" caro a Messire de Beaumanoir – que ensinava no coração da Idade Média sobre a unidade futura entre a coroa e o reino – persistência do que era e sustenta: um semblante.
Qual é então esse muro que nos obriga a pensar que um muro se funda e se reforça? Se é o muro do dinheiro, ele não existe na psicanálise sem o muro da linguagem.
Pode-se, portanto, pagar com palavras, ainda, e mesmo, "na psicanálise", " a falsa", mas a verdadeira não é um muro; ela não erige monumentos aos estilista – nem mesmo a Lacan. Com ele, entretanto, ele se interessa pelos muros, "objetos do século", retomo esta fórmula de Gérard Wajcman para acrescentar esses muros à sua coleção.
E aos murmúrios, evidentemente, sempre múltiplos, sobre o fundo dos quais uma fala, uma palavra, um dito podem se destacar e dar a uma existência seu código, isto é, seu centro de gravidade. -

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Christiane Alberti, em Palme, no Aude
Profecias de Lacan, desde o título, sua entrevista se anuncia cômica e séria. O sentido é dado no final pela fórmula "decifrar o presente". Fazer significar o texto de Lacan, sempre antecipadamente em relação a este futuro funesto que nos aterroriza. Empreendimento precioso numa atualidade em que o tempo surge a cada instante. Com uma aceleração incomparável.
Ao lhe ler, no auge deste verão invadido pelas variações da bolsa, cansada das verdades dos especialistas, na expectativa das más críticas, descobrimos um texto que canta, que não se enrola, que abrevia, mas também que inventa, que faz aparecer, que sustenta. Você estabelece um presente sem relação nem com o passado, nem com nenhum futuro sonhável. O mais impressionante é que daí não se destaca, nem otimismo, nem pessimismo, mas algo que funciona como uma espécie de alegria.
A que ela se deve? Ao amor? Sem dúvida! Mas também: o UM-SÓ finalmente, isto não é tão triste! Principalmente: você passa a convicção que uma leitura psicanalítica não possa modificar o mundo, porque há muito tempo que não existe o mínimo mundo, mas que ela preserva algo. Do ensino de Lacan, podemos retirar todas as conseqüências que queiramos, mas não se tocará no essencial que está contido na existência em si.
Sua leitura do tempo presente faz surgir toda a força deste ensino separadamente. Ela diz o que organiza ou desfaz o laço social a partir do íntimo, a partir do que é impossível a suportar, um não negociável próprio a cada um. Muito mais interessante hoje que seu sentido se apague. Como viver e como se virar com isso? Que "o mundo não caminha senão pelo mal-entendido" tão bem dito por Baudelaire, e que o aspecto conversacional próprio ao campo científico se impõe em todos os lugares. Que nossa época é a dos modos de gozar rebeldes. Que o pai é propriamente "impensável" como o afirma Lacan, e que não se trata de se livrar dele nem de restaurá-lo como se apregoa em todos os lugares.
Resumindo, um texto que observa o real e que observa um leitor ávido. Crônica a prosseguir, por favor. - CORREIO DOS LEITORES: A criação do LACAN COTIDIANO na metade de agosto surpreendeu; não recebemos ainda nenhuma reação dos nossos leitores no que diz respeito a oportunidade de nossas iniciativas. O único mail que entra nesta categoria vem de nossa amiga Catherine Clément. A responsável pela lista de distribuição Messager recebeu, em resposta ao envio do comunicado "Breaking News" de ontem, o seguinte texto: "Cara amiga, não estou certa de que este correio seja apropriado". Este envio inaugura o Correio dos leitores. – LC

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Clotilde Leguil, de Paris de volta dos Landes
Ontem voltei dos Landes. Li o Le Point no trem. Reagi à estranha apresentação que Michel Schneider fez de Lacan, que mais parece um enterro do que qualquer outra coisa.
Fico impressionada como é que para Michel Schneider só resta de Lacan, no século XXI, "alguns aforismos fulgurantes", "jogos de palavras", "brilhantes palavras-valises", "incríveis proclamações de gênero", "palavrões das salas de plantão, compensadas por distinções operantes", e "algumas fulgurantes revelações misturadas a muitas preciosidades obscuras". Resumindo, nada a não ser fórmulas congeladas, um jargão, aforismos, refrões constituídos, nada de vivo, apenas um saber morto com o qual nada mais se tem para fazer com ele, atualmente, na clínica contemporânea.
Eu não conheci Lacan vivo, portanto, nunca assisti a um dos seus Seminários, nem a suas apresentações de doentes, no entanto, graças à transmissão daqueles que tentam elucidar seu trabalho, o que fica de Lacan, para mim, é uma coisa completamente diferente, desses slogans fora de contexto.
O que está vivo no que Lacan nos deixou, é totalmente o contrário dessas fórmulas passadas à posteridade, mas um questionamento profundo sobre a função da psicanálise nos tempos áridos do cientificismo, uma relação ao saber que não é jamais dogmático, mas que abre uma via frágil em direção à verdade, justamente um modo de se interrogar que conduz a sempre tentar retomar ex-nihilo o que é o objetivo da psicanálise, o que pode significar o inconsciente e o que Freud nos deixou de incomparável entre as mãos.
Lacan não parece nunca totalmente satisfeito com o que encontrou e é por isso que recomeça que continua que diz de outra forma, como se a própria psicanálise escapasse sempre àquele que tenta formular sua teoria.
É isto que nos advém de Lacan, é também o que faz do seu ensino, não um saber arrasador que nos proibiria de tomar a palavra sobre ele, mas um lugar vivo que deixa a cada um a possibilidade de dizer à sua maneira o que é a psicanálise para ele.
Quanto à concepção patológica da sexualidade que evoca Michel Schneider, conferindo um sentido curiosamente normativo à fórmula "não há relação sexual". Não compreendo o que ele quer dizer: será que Lacan é, para ele, um ser incapaz de conceber uma sexualidade normal quando isto é uma coisa tão simples? Isto quer dizer que a norma, em matéria de sexualidade, é de fazer com freqüência, mas de jamais falar sobre isso? E qual é a freqüência considerada normal para não ser considerado como tendo uma conduta patológica? E em nome de que norma seria considerável saudável por nunca falar sobre o tema?
Evidentemente, se o sexo, deve ser feito e silenciado, não tem mais nada a ver com o amor, nem com o que Lacan falou sobre isso, quando dizia que o amor existia ali onde a relação sexual não conseguia se estabelecer. Por isto, pouco importa a quantidade: que nunca se faça, que se faça pouco, que se faça muito, freneticamente, ama-se, no entanto falar...
Justamente, resta de Lacan uma concepção do amor que não é nem cor de rosa nem trash, nem romântica nem cínica, bem única em seu gênero, uma concepção que tenta buscar toda profundidade ontológica, o valor semântico para o sujeito contemporâneo, que não é nem animal nem máquina, mas um ser sexuado e falante. - Encontrar-se-á na página 20 a lista dos colaboradores da publicação. Aí se esclarecerá como entrar em contato com o jornal; em quais endereços se inscrever nas listas de distribuição se não se tem proximamente; como consultar os números anteriores. Enfim, o Sr. Patachon Valdes, jornalista respeitado em Bélize, aceitou ser nosso mediador; o endereço indicado não funciona; tentamos entrar em contato com ele por outros meios. LC

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Agnès Aflalo, em Paris, de volta da Normandia
Le Point é o primeiro jornal, deste retorno, a publicar um dossiê Lacan. Esse dossiê diz respeito a um artigo do Sr. Michel Schneider, escritor, antigo aluno da ENA, alto funcionário, e psicanalista. Nele, Lacan é maldito. Sua obra, escrita e oral, é reduzida a alguns "palavrões de sala de plantão e outros jogos de palavras de Almanaque Vermot".
Eis, então, o que um intelectual brilhante retém de trinta anos de ensino de um homem de saber enciclopédico e de um humor desnudante, de quem os Seminários, estabelecidos por Jacques-Alain Miller, são publicados em todos os continentes. O uso da sujeira diz outra coisa além do gosto daquele que a manipula?
Lacan e seus alunos são, de saída, difamados com insultos e calúnias: uma loucura mortífera os atingiria em seu conjunto, e alguns, hábeis, saberiam se aproveitar.
Essas colocações não são apenas difamatórias, elas suscitam também uma forte perplexidade por serem da pena de um colega. O leitor advertido de Lacan sabe que o ódio é uma paixão da ignorância. Um psicanalista conseqüente não pode ignorar que o ódio é o signo da recusa de saber a verdade. Mas, o que dizer de um alto funcionário que difama assim os alunos de Lacan, ao passo que o Estado conferiu o reconhecimento de utilidade pública à Escola da Causa Freudiana, bem como a outras instituições de orientação lacaniana?
A confusão não é para ir detectá-la do lado de Pascal, mas, sobretudo, do lado que não consegue distinguir religião e discurso analítico. Os exercícios de Inácio de Loyola seriam melhor aproveitados se fossem meditados com seriedade, muito mais do que entender atravessado o seu "Perinde ac cadáver".
Não, decididamente, não estamos no pós-Lacan. É ele que continua nos ultrapassando, para nos convencermos disto, basta se decidir a lê-lo. O Seminário XIX, atualíssimo, é de 40 anos atrás (1971). Sua atualidade, as duas outras partes desse dossiê oferecem, disso, uma idéia: dois seminários inéditos de Lacan, e um comentário fulgurante de Jacques-Alain Miller.
O discurso analítico tem mais de um século. Atualmente, os psicanalistas de orientação lacaniana, localizados nos quatro pontos do planeta, são os mais numerosos. Eles não confundem as relações sexuais com a relação sexual, no sentido de Lacan. O famoso aforismo "não há relação sexual" se se leva em conta a natureza do sintoma inerente a todo humano. Tal sintoma comporta uma parte obscura e irredutível. A má notícia é que a sexualidade põe dificuldade para cada um. Mas, a boa notícia é que cada qual deve inventar sua boa solução, homo ou hetero.
O recurso de Lacan à matemática não tem nada de fuga: permite apreender a lógica da sexuação, que faz com que o sujeito possa se localizar sob a bandeira homem ou mulher, qualquer que seja seu sexo anatômico.
O grande escritor ensina sempre ao psicanalista. Opor aqui um personagem de Proust a Lacan, para obliterar a questão da sexuação, é digno de um psicanalista?
Que o Sr. Schneider esteja impossibilitado de ler Lacan não quer dizer que este último não tenha nada a ensinar. Seu ensino continua muito vivo.
Este "retorno lacaniano", como diz Le Monde des livres, já oferece a prova disso, se necessário fosse. - Agnès Aflalo é membro do Conselho editorial de LACAN COTIDIANO. Com sua contribuição conclui-se a publicação das reações suscitadas pelo dossiê veiculado por Le Point da última quinta-feira. Previmos divulgar, no decorrer da próxima semana, o número Zero, com o texto que Jacques-Alain Miller se dedica a redigir. Esta publicação deveria se desdobrar em vários números Zeros. LC

 

Traductor: Elizabete Siqueira

Versión en idioma original: Lacan Cotidiano / N° Cero Cero (Español)

 
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