World Association of Psychoalanysis

 

TEMPO E ATO ANALITICO

Ram Mandil

 

Antes de mais nada, gostaria de agradecer a oportunidade de estar aqui hoje com voces, nesta Jornada, a partir de um convite de Angela Bernardes.

Me dou conta, nessa frase, que procuro assegurar -ou reiterar- a dimensao espaço-temporal em que estamos inseridos: "estar aqui", e nao em outro lugar, "hoje", e nao um outro dia. Nao haveria necessidade de dizer que "estou aqui, hoje" se nao houvesse em mim a intençao de situar-me em relaçao ao Outro, de estabelecer as coordenadas de minha posiçao em relaçao ao Outro, que sao as coordenadas de tempo e de espaço. Sabemos, no entanto, que em se tratando de discurso analitico, essas coordenadas tambem sao coordenadas libidinais.

Desde abril ultimo, quando das duas conferencias de J.-A. Miller no Encontro brasileiro do Campo freudiano aqui no Rio -conferencias estas ja editadas pela EBP-Rio- fomos convidados a levar em consideraçao uma dimensao erotica do tempo dentro da orientaçao lacaniana da psicanalise. E sob o impacto desta perspectiva, que procura reconhecer o elemento de libido associado a nossa experiencia do tempo que pensei articular alguns pontos, submetendo-os a consideraçao de voces.

Para recuperar rapidamente esse contexto, chamaria a atençao para a dupla articulaçao do tempo ali proposta: primeiro, a do tempo associado a cadeia significante, que e o tempo da sucessao, o tempo do antes e do depois, em que um elemento forçosamente antecede ao outro, o tempo da "passagem do tempo", do tempo que nao para. Talvez encontremos dificuldades para articular a libido a esse tempo da sucessao, o que poderia tomar a forma de brechas ou lacunas nessa cadeia linear, ou mesmo na indeterminaçao que precede o elemento seguinte nesta sucessao temporal (bastaria o exemplo de uma indeterminaçao na serie sucessoria: as recentes eleiçoes presidenciais americanas, em que a indeterminaçao leva a acionar uma parafernalia juridica em busca do que alguns magistrados chamam de "o desejo do eleitor").

Sabemos, no entanto, que uma lacuna na serie associativa nao e necessariamente o que corresponde, por exemplo, ao trauma, no sentido freudiano. Para se falar de um trauma sexual, como descontinuidade, e preciso recorrer a um desdobramento temporal, no qual o tempo da sucessao e interceptado pelo tempo da retroaçao, articulando o elemento presente a um ponto no passado, conferindo-lhe a significaçao de inconsciente.

E nesse aspecto que somos introduzidos na vertente libidinal do tempo, o "Nachtraglich" freudiano, um tempo de duplo batimento, pelo qual um acontecimento posterior retorna sobre um acontecimento anterior, ao mesmo tempo que e a sua atualizaçao. Podemos tomar essa elaboraçao de um tempo retroativo, assinalada pela leitura de Lacan do texto freudiano, como uma primeira figura de um tempo libidinal revelado pela psicanalise.

Uma outra figura da erotica do tempo podera ser encontrada nas elaboraçoes de Lacan em torno do "tempo logico". A propria expressao "tempo logico" ja seria um forçamento, acusando o esforço teorico de fazer valer o tempo nos dominios da deduçao logica, um terreno classicamente depurado do fator temporal. Pensar o tempo na logica poderia ser considerado como uma das primeiras tentativas de Lacan em articular o campo simbolico ao campo de forças da libido, ainda que o proprio texto sobre o tempo logico nao explicite as coisas nesses termos.

A presença do elemento libidinal e revelado no sofisma dos tres prisioneiros pela desregulaçao temporal que ele produz. Nesse pequeno e formidavel exemplo, o tempo nao corre de maneira uniforme. As referencias ao instante de ver, ao tempo para compreender e ao momento de concluir sao apresentadas por Lacan com os mesmos termos utilizados por Freud para referir-se a economia da libido. As tres modalidades de tempo indicam, para Lacan, uma "tensao temporal", e o momento de concluir e pensado a partir do modelo da "descarga", numa referencia ao circuito de tensao/resoluçao que acompanha a dimensao quantitativa do principio do prazer.

Podemos perceber que essa articulaçao de um tempo libidinal a logica vai mais adiante, pois trata-se tambem da erotizaçao de um tempo epistemico, no qual as instancias do ver, do compreender e do concluir encontram-se na dependencia de uma tensao libidinal.

E nesse contexto de uma "tensao temporal " que encontramos a referencia ao ato, uma vez que, para Lacan, a conclusao ou resoluçao desta tensao nao se faz sem a sua incidencia. Nos termos do sofisma dos tres prisioneiros, nenhuma deduçao logica permitiria a qualquer um deles chegar a uma "asserçao subjetiva", a uma afirmaçao sobre si mesmo -no caso, uma afirmaçao sobre a cor do disco que cada um carrega em suas costas- sem a interposiçao de um ato. Nesse sentido, nao e a certeza logica que produz a conclusao, mas o ato de conclusao que produz uma certeza, a partir da qual o sujeito podera fazer uma afirmaçao.

Sem querer entrar aqui nos detalhes desse texto incrivel de Lacan, retenho apenas essa referencia ao ato como um elemento que incidira sobre a "tensao temporal", permitindo que o tempo de compreender desemboque num momento de concluir.

Numa das primeiras Conversaçoes clinicas no ambito do Campo freudiano, dedicada aos efeitos de surpresa na clinica das psicoses, e reunida no volume intitulado "Conciliabulo de Angers", J.-A. Miller apresenta um vetor que reflete, a meu ver, uma nova maneira de inscrever a relaçao entre uma "tensao temporal" e ato que incide sobre ela. A certa altura da Conversaçao Miller nos propoe um vetor que vai do "enigma" a "certeza" e, no trajeto de um a outro, intercala, respectivamente, a "perplexidade", a "angustia" e o "ato" (desenho do vetor (1)).

A leitura desse vetor permite situar o ato interpondo-se entre o enigma e a certeza, pelo qual a passagem daquilo que se constitui como uma incognita para um sujeito, ate a produçao de uma certeza, nao seria capaz de prescindir de um ato (poderiamos incluir aqui a metafora paterna como um ato pelo qual o enigma do desejo materno recebe uma significaçao, a significaçao falica).

De certo modo trata-se de uma reescritura do Tempo Logico, de Lacan, na qual o sujeito, tomado pela injunçao de responder ao "quem sou eu?" (um disco branco, ou um disco preto?) -um caminho, inclusive, que o obriga, para responder a esta questao, colocar-se outra, a saber, a de "quem sou eu para o outro?"- este sujeito so tera acesso a uma certeza- no sentido de poder fazer uma afirmaçao sobre si mesmo- se essa certeza for antecipada por um ato de conclusao.

Esse vetor proposto por J.-A. Miller apresenta um outro elemento para nossa consideraçao, na medida em que traz para o primeiro plano a "angustia" que antecede o ato. Esta conexao entre a angustia e o ato permite considerar sua relaçao com o significante da falta no Outro, considerando que a angustia esta relacionado com essa falta tomada como puro significante (o que acaba por conferir-lhe uma natureza de semblante).

Nesse sentido o ato deve ser considerado como precedido por uma conjuntura instaurada pelo encontro com o significante da falta no Outro, o que, em outras palavras, significa um encontro com a demanda do Outro e suas variaçoes (a necessidade, o amor, o desejo e o gozo).

Podemos considerar a espera como uma das figuras dessa relaçao com a demanda do Outro. Duas vinhetas clinicas nos darao aqui uma pequena amostra da variedade de respostas frente ao encontro com a falta no Outro, nas quais deparamos com a presença da espera.

No contexto de uma paranoia, um paciente se ve permanentemente em alerta, a espera de um ataque iminente do que designa como "cabeças". Para eles, ele e, antes de mais nada, um "alvo". Uma grande parte da sua fala gira em torno das estrategias adotadas para evitar o encontro com esse Outro mortifero, com o qual se acha irremediavelmente ligado, ligaçao essa que, de todo modo, se traduz pela atitude de espera. Se for preciso, ira trancar-se num quarto e ficar um tempo sem respirar, para que sua presença nao seja percebida. Manejar o tempo faz parte tambem do seu arsenal de defesas. Se for preciso, passara horas diante de um relogio, olhando-o fixamente, acompanhando a passagem do tempo como modo de evitar que seja localizado, como se o encontro fosse acontecer justamente no instante em que parasse de vigiar o tempo. Numa oportunidade, tendo sido comunicado que seria localizado as 15horas, diante da aproximaçao da hora marcada, nao hesitara em adiantar o relogio para as 15:15h, forcluindo assim todo um periodo de tempo no qual o que estava para acontecer simplesmente nao aconteceu porque, para esse paciente, esse tempo nao existiu.

Uma paciente nos da um outro testemunho de uma relaçao com a espera. Sempre preocupada em nao deixar seu analista esperando, obriga-se a desvencilhar-se o quanto antes do que estiver fazendo, para chegar a sessao antes da hora marcada. O que parece, na verdade, atemoriza-la e a ideia de que, atrasando-se, ela acabaria por deixar o analista em falta, instaurando-o, por conseguinte, na posiçao de demandante. Qualquer contratempo que a leve a imaginar o analista no lugar de "ser em espera" e suficiente para mergulha-la num estado de angustia e pressa, o que inclui telefonemas seguidos enquanto acelera o seu veiculo. E nesse momento que se evoca seu sintoma de colite, um dos motivos que a teria feito procurar a analise. No contexto de um erotismo anal, a colite se inscreve no sentido oposto ao da retençao, mas ambos traduziriam uma relaçao com a demanda do Outro. Se na retençao o que se valoriza e a propria demanda do Outro, na qual, ao se produzir um Outro em espera e a sua demanda que e convertida em objeto, na colite a direçao parece ser a inversa, qual seja, a de oferecer o objeto que se supoe que seja o da demanda do Outro antes mesmo que essa demanda possa manifestar-se.

Essa referencia a uma aceleraçao temporal em relaçao a falta no Outro nos obriga a estarmos atentos para os modos de interpretaçao do significante dessa falta, ja que e justamente ai que o sujeito se depara com seu proprio estatuto enigmatico, retratado pelo deslize de uma pergunta, "o que esse Outro quer de mim?" para uma interrogaçao voltada sobre si mesmo, "o que sou eu para esse Outro?".

Vemos aqui que o enigma que precede ao ato nao e apenas um enigma ao nivel do significante -como a presença de um vazio la onde se espera um sentido, uma significaçao- mas que e tambem um enigma ao nivel do gozo, evidenciado pelo encontro de uma falta no Outro associada a uma carga libidinal.

Nesse sentido cabe evocar aqui uma "clinica das imediaçoes do ato", capaz de considerar tanto aquilo que o precede quanto aquilo que se produz a partir dele, o que nao seria possivel sem adotarmos o ato como uma descontinuidade pontual, suplementar em relaçao a temporalidade da experiencia.

Vimos que o ato pode ser considerado a partir de uma baliza epistemica, precedido pelo que constitui enigma para o sujeito e produzindo, ou participando da geraçao de uma certeza.

Ja no contexto da "tensao temporal" referida por Lacan no "Tempo Logico", o ato e precedido por um tempo para compreender e e tributario do momento de concluir esse tempo para compreender. Trata-se de um contexto que nos permite situar, por exemplo, a clinica das urgencias, na qual a passagem ao ato evoca uma fusao entre o instante de ver e o momento de concluir (François Leguil chega mesmo a sugerir que a clinica da urgencia e, de certo modo, poder dar lugar ao tempo para compreender). E que tambem nos permite associar uma dimensao infindavel da analise com um tempo para compreender que jamais seria capaz de convocar o momento de concluir (num certo sentido, podemos dizer que o tempo para compreender alimenta-se de si mesmo).

Continuando por essa via de exploraçao das imediaçoes do ato temos, no vetor proposto por J.-A. Miller em Angers a referencia a angustia e seu correlato de encontro com o significante da falta no Outro. Trata-se aqui de referir o ato nao apenas a uma conjuntura epistemica mas tambem a uma dinamica libidinal. Talvez nao seja exagero dizer que a precipitaçao, a aceleraçao temporal, a pressa, a passagem pelo "desfiladeiro do eu-nao-penso" -todas elas figuras de linguagem que procuram captar o momento imediato que antecede ao ato- indicam a entrada do sujeito numa zona de radiaçao maxima do objeto (a), com seus efeitos de desregulagem do tempo.

Uma clinica das imediaçoes do ato tambem devera voltar-se para o que se produz a partir dele (sera que poderiamos dizer que alguns desses efeitos sao imediatos, e que outros, mais demorados?). Pois uma das caracteristicas de nossa apreensao do ato e que ela se da, justamente, num tempo retroativo. Dai, a meu ver, a vinculaçao essencial do ato ao passe, considerando esse dispositivo como o que, entre outros aspectos, favorece o reconhecimento do ato analitico enquanto tal, conferindo-lhe uma dimensao de "fazer Escola".

Em "A erotica do tempo", J.-A. Miller associa os efeitos do ato analitico a uma "inversao de orientaçao", uma vez que o ato presentificaria o ponto de apoio suplementar, heterogeneo, a partir do qual uma analise poderia sofrer uma mudança de sentido e mesmo de modalidade logica. E aqui tambem que encontramos a vinculaçao do ato com a produçao de uma certeza, anotada primeiramente por Lacan, no "Tempo Logico", como a "asserçao de uma certeza subjetiva", ou seja, aquilo que, no sofisma dos 3 prisioneiros permitiria a cada um ter acesso a uma verdade sobre si mesmo, no caso, poder dizer qual a cor do disco afixado em suas costas, o que abriria a via para sua liberdade. Vale notar que, para Lacan, e a certeza que leva a uma asserçao -"sou isto!"- mesmo que, posteriormente, essa asserçao va ser verificada (nao se trata, portanto, de uma asserçao que se origina da verificaçao, como no discurso da ciencia, mas de uma asserçao que cria, exatamente, um intervalo entre certeza e verificaçao).

Nao precisariamos ir muito longe para reconhecer ai a possibilidade de que essa "asserçao de uma certeza subjetiva" possa tomar como referencia o modo particular da relaçao do sujeito com suas formas de gozar. Nesse sentido o ato analitico criaria as condiçoes para que uma "asserçao subjetiva" possa ser reconhecida como "nome de gozo", para ficarmos aqui com uma outra referencia de J.-A. Miller.

Finalmente, uma outra produçao do ato analitico, ou melhor, um outro modo de referir-se aquilo que esse ato e capaz de criar, nos e proposto por Miller num artigo intitulado, nao sem uma ponta de ironia, de "O passe perfeito". Neste artigo, recapitulando, ele julga ser possivel reconhecer uma outra dimensao produzida pelo que chama de "passe-ao-ato analitico", a saber, cito, "que o simbolico tenha entregue ao sujeito o equivalente de um teorema de impossibilidade". Trata-se de uma perspectiva que, a meu ver, merece ser explorada, uma vez que o ato analitico associa-se aqui a produçao de uma conjectura, de uma suposiçao, de uma conjectura sobre o real como impossivel, cuja demonstraçao ou verificaçao se pretende que seja feita no interior do discurso analitico.

Para finalizar cabe mencionar aqui dois outros aspectos referentes ao ato analitico.

Um primeiro, que aponta para a distinçao entre o ato analitico propriamente dito, e dois outros tipos de ato que fazem parte de nossa clinica, a saber, o acting out e a passagem ao ato. E certo que poderiamos estabelecer pontos de contato entre eles, tanto no que se refere a uma separaçao em relaçao ao inconsciente -poderiamos quase dizer de uma rejeiçao- como tambem naquilo que se refere a produçao de uma certeza ("sou um inocente-culpado" ao qual um paciente ascedeu apos uma passagem ao ato homicida).

No entanto, o ato analitico, enquanto ato do psicanalista -mesmo que seu sentido de ato so possa ser recuperado pelos efeitos que produz no analisante, testemunhados por ele enquanto tal- o ato analitico, portanto, distingue-se nao por uma rejeiçao pura e simples do inconsciente, mas por uma posiçao de extimidade em relaçao as suas elocubraçoes. Um outro ponto de distinçao entre o ato analitico e, por exemplo, a passagem ao ato, diz respeito a modalidade logica que condiciona o ato analitico. Uma passagem ao ato, ou um acting out, sempre podem acontecer. E este, inclusive, um dos aspectos de nossa clinica, o de calcular a possibilidade de um sujeito passar ao ato numa determinada conjuntura. O ato analitico, por sua vez, estaria do lado da surpresa, como acontecimento no horizonte do impossivel, muito mais do lado de um "como e que isso pode acontecer?", assinalando uma descontinuidade na cadeia das expectativas elaboradas pelo discurso do inconsciente (pensar aqui na relaçao do ato analitico com a interpretaçao, ou do ato como uma interpretaçao que vai no sentido contrario a interpretaçao do inconsciente, ou seja, da intepretaçao como corte e nao da interpretaçao como sentido).

Finalmente uma ultima observaçao em relaçao ao tempo e o ato analitico, e que lanço aqui na forma de uma hipotese: nao poderiamos afirmar que toda aproximaçao do objeto (a) (do semblante da falta no Outro) e experimentada pelo sujeito sob a forma de uma aceleraçao temporal? De modo inverso, nao poderiamos tomar toda aceleraçao temporal -nas suas mais diversas manifestaçoes- como indice de entrada do sujeito nesta zona de radiaçao maxima da libido, na qual ela adquire o semblante de um objeto?

Nesse sentido, podemos perceber uma tensao entre o ato e a fantasia, considerada como um modo de enquadre do objeto (a), como uma construçao que teria por funçao fixar o objeto a uma boa distancia, tanto no tempo quanto no espaço, o que acaba por produzir uma inercia da libido, que experimentamos sob a forma de uma desaceleraçao temporal. O tempo da fantasia e, verdadeiramente, um tempo que nao passa.

Talvez nao seja por outra razao que toda perturbaçao ao nivel da fantasia e experimentada pelo sujeito como uma aceleraçao temporal. Nesse sentido ha uma articulaçao intrinseca entre o ato analitico e a fantasia, o ato apontando para a possibilidade de um rearranjo das relaçoes do sujeito com o objeto.

Dai tambem nossa atençao para as vacilaçoes fantasmaticas, que podem desembocar num acting out ou numa passagem ao ato.

Bem, e isto o que trago hoje para a consideraçao de voces.

Obrigado.

"

Apos reler o que havia preparado, fui tomado por uma questao: nao seria interessante recuperar, nos depoimentos dos AE, o que teria sido, para eles, um ato analitico?

Paradoxalmente e da posiçao de analisante ou de analisado que melhor se poderia falar do ato analitico, que e o ato do psicanalista. Nesse sentido poderiamos esperar de toda fala sobre o ato analitico um tom de depoimento. Ainda que esse tom seja o de um primeiro momento, que mais tarde podera ser dessubjetivado, ou melhor, elevado a dignidade de um matema.