Discurso do Presidente sainte
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XIVa Assembléia Geral
Informe Moral e de gestão do Presidente sainte da AMP, Leoanardo Gorostiza.

Estimados colegas, queridos amigos da AMP:
Há exatamente quatro anos, aqui mesmo, em Paris, tive a honra e a grande responsabilidade de assumir a Presidência da AMP.
Há dois anos, em Buenos Aires, ao aprovarem meu relatório de então, vocês renovaram de maneira sincera a confiança em mim, para que eu prosseguisse por mais dois anos à frente de nossa associação.
Assim, chegamos hoje ao final de um período durante o qual eu sempre pude contar, não apenas com a estreita colaboração dos conselheiros que me acompanharam nesta tarefa que não é apenas para um, mas também com a colaboração de cada um de vocês, membros da AMP: apoiando as iniciativas e o funcionamento propostos e também fazendo-me saber suas objeções e sugestões de mudanças quando consideraram pertinente.
Ambas as modalidades contribuem para o fortalecimento do laço dentro da nossa associação, na medida em que tanto o apoio como a crítica estão dirigidas a consolidar os objetivos e finalidades superiores da AMP.
Por tudo isso, em primeiro lugar, muito obrigado.
Não farei, não obstante, desta oportunidade de meu ultimo relatório como Presidente da AMP, uma leitura retrospectiva dos fatos dos último quatro anos até agora. Levaria muito tempo e devemos ser breves e precisos.
Limitar-me-ei, então, a informar-lhes do ocorrido durante este ultimo ano, para situar em que ponto estamos atualmente na AMP e na Escola Una.
Como vocês sabem, em poucas horas teremos a renovação da metade do conselho de Administração, assim como a permutação do Bureau e da Presidência da AMP.
Informar em que ponto estamos é uma maneira de dizer a aqueles que chegam qual é o estado de nossa associação nos eixos centrais que fazem sua orientação.
Passo, assim, ao primeiro ponto, como sempre, talvez o mais privilegiado no âmbito da AMP e da Escola Una:

O passe
A força, o impulso que anima o Passe, prossegue sua marcha de maneira sustentada. Desde o último Congresso até o momento foram nomeados quinze (15) novos AEs. Durante o último ano, 2013, e o que passou de 2014, nove (9) AEs: quatro (4) da EOL, dois (2) da ECF, dois (2) da ELP e um (1) da EBP. De modo que o número de AEs da Escola Una em exercício atualmente subiu para vinte (20).
No que diz respeito aos Regulamentos do Passe, no Congresso de Membros da EBP de abril de 2013, foi aprovado e ratificado pela Assembléia o Regulamento do Passe da EBP para o período de 2013-2015.
A Escola Una mantém, então, dispositivos funcionando em quatro escolas (ECF, EOL, EBP e ELP), que também recebem demandas de membros de outras Escolas através do Secretariado do Passe AMP. Por sua vez, a EFP também dispõe de um regulamento para orientar as demandas de Passe da SLP e da NLS. Ainda está no horizonte a possibilidade de constituir um Cartel do Passe na SLP.
Tal como coloquei no último relatório durante a Assembléia Geral passada, podemos concluir que o Passe nas Escolas – e também na Escola Una- mantém uma grande vitalidade.
Em cada uma dessas atividades centrais da Escola, assim como nos eventos internacionais, as apresentações dos AEs suscitam particularmente a atenção dos participantes. Isso fortalece o que Jacques- Alain Miller certa vez chamou de "comunidade do Passe", cuja consolidação é muito mais importante que os regulamentos em si mesmos, que são e devem ser variados e transformados segundo o momento, as Escolas e as contingências.
Com Anne Lysy, Secretária do Passe da AMP, nos perguntamos no ano passado, ao recebermos a difusão das notícias de sucessivas nomeações de AEs, se estávamos diante de uma "chuva de AEs" e, sendo assim, o que isso poderia significar.
Tanto a partir de seu preciso relatório ao Conselho da AMP de janeiro passado, tanto pelo que foi debatido durante a Conversação sobre o Passe na Escola Una, que aconteceu domingo passado, aqui em Paris, na sede da ECF, pudemos concluir que não se trata tanto de uma "chuva de AEs" – já que a porcentagem de nomeações em relação as demandas de passe tem se mantido mais ou menos estáveis há vários anos – como a manifestação de um "desejo de passe" que atravessa e percorre as diferentes Escolas da AMP. Além disso, para retomar uma feliz expressão de nossos colegas da EBP, mais que do que uma "chuva" se trata de uma "safra" de AEs, ou seja, de "uma colheita" na qual se está começando a recolher os frutos de uma geração que assumiu com seriedade e compromisso há alguns anos sua relação com a experiência analítica.
Finalmente, quero agradecer especialmente a Anne Lysy, Secretária do Passe da AMP, que durante esses anos de trabalho compartilhado sempre esteve à altura de uma tarefa muito delicada e com quem contei em cada instante para resolver as inúmeras questões relativas ao bom funcionamento do passe nos dispositivos existentes na Escola Una.

A garantia
Tal como salientei no último relatório, Philippe La Sagna, Secretário de Garantia da AMP, endereçou, durante 2012, um questionamento aos integrantes da Comissão de Garantia AMP América e do Secretariado Europeu de Garantia, para saber sobre o estado da prática das supervisões nas Escolas. Uma indicação que se estende para todas as Escolas, particularmente na medida em que a supervisão é uma questão central a ser considerada tanto para a entrada como membro de Escola e da AMP, como para a nomeação de AME.
Esta iniciativa de interrogar como se desenvolve a prática de supervisão na AMP levou a Presidente da FAPOL, Elisa Alvarenga, a estimular um debate sobre o tema no Conselho da FAPOL durante sua reunião de novembro passado em Buenos Aires. Um dossiê com o título "A arte da supervisão" foi elaborado com esse propósito.
Também, tal como assinalou anteriormente o Presidente da ELP, Antoni Vincens, naquela Escola aconteceu uma Conversação com o título "Os paradoxos da Escola: a garantia, a supervisão e o passe", questionamento abordado igualmente na última "Question d'École" da ECF. As outras Escolas da AMP, de diversas formas, também exploraram esse tema que retomaremos na Grande Conversação.
Quanto às nomeações efetuadas durante 2013, o Secretariado Europeu de Garantia (23 de fevereiro de 2013), a Comissão de Garantia AMP América (2 de dezembro de 2013) e a Comissão de Garantia da ECF (16 de dezembro de 2013), realizaram as respectivas nomeações de AMEs de colegas da ELP, SLP, EOL, EBP, NEL e ECF.
Em maio de 2013, durante a Conversação de membros da NLS em Atenas, abordou-se uma questão central: o laço que existe entre a realização das Conversações clínicas e a prática da supervisão. Jacques-Alain Miller destacou, nesta conversação, a ausência de AMEs próprios da NLS e propôs realizar uma Conversação clínica em Gand, Bélgica, no próximo mês de maio, antes do Congresso da NLS. Este tema das nomeações próprias da NLS foi também motivo de consideração pelo Secretariado Europeu de Garantia em sua reunião durante o PIPOL 6.
Uma recente e muito importante novidade é a aprovação do Conselho da AMP à proposta do Conselho da EBP de criar um Regulamento interno para uma Comissão de Garantia própria da Escola Brasileira. Esse Regulamento foi ratificado pela Assembléia Geral da EBP em março passado em São Paulo. A composição da primeira Comissão de Garantia EBP, que manterá um laço com a Comissão de Garantia AMP América, equivalente a da EOL, será anunciada proximamente.
Esse Regulamento inclui dentro dos deveres da nova Comissão aquilo que tanto as Comissões de Garantia da ECF quanto a da EOL decidiram retomar nos últimos anos: um trabalho de ensino no qual suas decisões encontram seu sentido.
Quero, por fim, manifestar meu agradecimento a Philippe La Sagna, Secretário de Garantia AMP sainte, em quem tive, durante esses quatro anos, um companheiro e colaborador essencial que ajudou a impulsionar, como vimos, o tema da garantia e a supervisão nas escolas da AMP

As homologações
Não me estenderei muito sobre esse ponto que, como sempre, retém especialmente a atenção do Conselho. As últimas homologações, assim como seus fundamentos, foram informadas no Comunicado do Conselho nas reuniões de janeiro e fevereiro passado.
Apenas quero destacar que durante as últimas homologações encontramos, uma vez mais, a boa tendência, já presente em anos anteriores, ou seja, no que se refere às proposituras feitas pelas diferentes Escola com argumentos claros e fundamentados.
Isso nos permitiu tomar as decisões respeitando a exigência de considerar cada caso em sua singularidade, para além das porcentagens necessárias para manter o equilíbrio das Escolas dentro da AMP.
Assim, o acento posto na formação dos candidatos, a relação com suas análises pessoais e o exercício efetivo da prática da psicanálise e das supervisões, estiveram no centro das razoes que sustentaram as decisões adotadas.
Podemos concluir que desta maneira, o total de admissões efetuadas manteve durante esses últimos quatro anos a tendência de um crescimento sustentado e equilibrado da Associação Mundial de Psicanálise, sem desatender a exigência analítica requerida para ser membro.
É por isso que quero agradecer aos Conselhos das Escolas pelo cuidado que demonstraram novamente na apresentação dos relatórios, o que facilita o trabalho do Conselho da AMP e, fundamentalmente, permite colocar em destaque a singularidade de cada uma das demandas. Constata-se, assim, dentro da variedade de dispositivos de admissão implementados, que prevalece uma orientação comum, nem por isso alheia à particularidade de cada Escola.
Assim mesmo, verificamos uma vez mais a ampliação que decidimos realizar em relação ao tempo de estudo das propostas por parte do Bureau ampliado apresentou-se com fundamental para poder discutir no conjunto do Conselho cada uma delas de maneira argumentada. Sugeri ao próximo Conselho prosseguir com essa modalidade.
Por último, um agradecimento especial para Carmen Cuñat, que durante esses dois anos aperfeiçoou a modalidade de apresentação das propostas de homologação que iniciaram seus antecedentes na Secretaria de Homologações, e nos permitiu trabalhar com seriedade nessa difícil tarefa.

Os eventos centrais no âmbito da AMP
Vários eventos internacionais escandiram durante 2013 nossa marcha rumo ao Congresso que acaba de concluir.
Primeiro, o Symposium de Miami em torno do tema What Lacan knew about women, que ocorreu em 31 de maio, 1 e 2 de junho do ano passado. Como vocês sabem, um evento que não foi organizado pela AMP enquanto tal, mas ao qual ela deu todo seu auspício e apoio. Temos falado da ampla subvenção que tivemos que outorgar para sua realização. Tratar-se-á então de avaliar primeiro, se os objetivos do Symposium, se cumpriram; segundo, se a realização de um evento similar, com maior cuidado em relação à questão econômica, seria aconselhável para os objetivos da AMP, ou seja, poder conseguir que a dimensão clínica da Orientação lacaniana possa afiançar-se nos EUA.
Aqueles dentre vocês que participaram do Symposium, talvez possam tomar a palavra e apresentar sua perspectiva. De acordo ao que experimentamos os que ali estivemos, pudemos escutar repetidamente a fórmula "acontecimento Miami", inclusive um colega da Austrália, Russell Grigg, o chamou de "Milagre em Miami". O que sim é certo é que para além do trabalho intenso – tanto clínico como epistêmico – e os laços que ali se estabeleceram, é notável que do total de participantes (324 ao total), 30% correspondeu – como costuma ocorrer – a colegas argentinos, mas 27% correspondeu a colegas americanos (EUA), e se somamos 2% de canadenses, resulta uma cifra similar, muito próxima dos 30%. É uma cifra a considerar. A pergunta que então se impõe é: Tentar prosseguir nesta via, ou seja, pensar em um novo Symposium, ou colocar ainda mais o acento no laço com o âmbito universitário em espaços e atividades mais reduzidas desde o ponto de vista do número de participantes, como é por exemplo, o PULSE (París-USA Lacanian Seminar)?
Tanto Pierre-Gilles Guéguen, delegado do Conselho AMP nos EUA, como Marie-Hélène Brousse, que trabalhou muito pela publicação Culture/Clinic da University of Minnesota Press em convênio com Paris VIII, cujo primeiro número foi motivo do Symposium, assim como Alicia Arenas – a quem agradeço pelo formidável trabalho que realizou junto a seu grupo de colaboradores para a organização de um evento sobre o qual não havia antecedentes -, poderão dizer-nos suas opiniões e perspectivas durante o debate.
Logo, nos dias 6 e 7 de julho de 2013 teve lugar em Bruxelas o evento maior da Euro Federação de Psicanálise, o 2º Congresso Europeu de Psicanálise (PIPOL 6), reunido sob o título "Depois do Édipo, as mulheres se conjugam no futuro". Aproximadamente 1.300 participantes povoaram as salas do Palais des Congrés de Bruxelas num evento que continua manifestando a força da aposta que significa a EFP para a política da psicanálise de Orientação lacaniana na Europa, que deve fazer frente continuamente às diversas tentativas do mestre contemporâneo de excluir a psicanálise ou diluí-la dentro de práticas psicoterapêuticas a serem reguladas pelo estado.
Durante a Grande Conversação da Escola Una, que acontecerá a tarde, retomaremos este tema. Contudo, não quero deixar passar a oportunidade de saudar e parabenizar uma vez mais, em nome da AMP, aos colegas da ECF Bélgica e do grupo flamenco Kring, da NLS, que os acompanharam, pela luta levada adiante perante a tentativa parlamentaria de incluir a psicanálise num marco de regulação de práticas psicoterapêuticas. Como vocês sabem, quinta-feira passada, 30 de janeiro, a prática da psicanálise e o título de psicanalista finalmente foram explicitamente excluídos de uma lei de regulação graças à mobilização decidida dos colegas.
Finalmente, em 22 e 23 de novembro passado, no marco da chamada Buenos Aires Lacaniana 2, que se estendeu de 19 a 25 de novembro, ocorreu o VIº ENAPOL reunido esta vez em torno do tema: "Falar com o corpo. A crise das normas e a agitação do real". No contexto de uma verdadeira festa lacaniana, onde também tiveram lugar as Jornadas da EOL, o Seminário Internacional da EBP e o Seminário de Formação do INES (Instituto da NEL) e outras atividades conexas, o ENAPOL acolheu aproximadamente 1.600 inscritos provenientes de diversas latitudes da América.
Uma nova fórmula implementada pelos organizadores, grupos convocados nas três Escolas da América afim de trabalhar diversos eixos do tema e depois reunidos no debate em catorze Conversações simultâneas, atraiu a atenção dos participantes pelo dinamismo e qualidade das elaborações.
O VII ENAPOL que terá lugar em São Paulo, Brasil, em 2015, talvez possa beneficiar-se dando continuidade a esta fórmula nova e estimulante. Por último, nosso IXº Congresso da AMP que acaba de concluir. Seria excessivo dizer algo mais sobre o excelente Congresso do qual vocês mesmos participaram e souberam apreciar. Não somente a qualidade dos trabalhos, mas também a excelente atmosfera de trabalho e de camaradagem na qual pudemos trabalhar. Por isso, o que não é excessivo é novamente agradecer o enorme e cuidadoso trabalho realizado por seu Diretor, Guy Briole, pelo conjunto da Comissão organizadora coordenada com maestria por Anne Ganivet, e a excelente preparação e edição do volumem Scilicet, que esteve sob responsabilidade de Ève Miller-Rose. Também quero agradecer o trabalho de cada um dos membros do Comitê de Ação da Escola Una; por sua participação na redação dos textos de orientação publicados nos Papers e pela animação que cada um soube introduzir em suas respectivas Escolas estimulando o trabalho preparatório rumo a este Congresso. Dentre eles, uma menção especial a Laure Naveau, que com sua coordenação entusiasta dos Papers também tornou possível que outros colegas participassem com seus textos.
Como vêem, estimados colegas, este ano foi de grande esforço e trabalho coletivo, que dizem claramente da vitalidade da AMP.

A AMP na ONU
Como vocês sabem, desde 2011 o Conselho Econômico e Social da ONU (o ECOSOC) outorgou à AMP o estatuto de ONG como Consultora especial (Special Consultative Status).
O ano passado foi o momento da AMP começar a participar e também fazer uso – tal como a chamou nosso delegado perante a ONU, Gil Caroz – da "Ferramenta ONG". Efetivamente, no mês de janeiro, quando o Conselho da AMP acompanhou Jacques-Alain Miller em sua luta pela liberação de nossa colega Mitra Kadivar, não duvidamos em fazer uso de nossa condição de ONG da ONU, na medida em que, precisamente, pouco tempo depois, de 4 a 15 de março de 2013, teria lugar em Nova Iorque a 57º sessão da Comissão da condição das mulheres, sob o título «Eliminação e prevenção de todas as formas de violência contra as mulheres e meninas». Neste momento, nas cartas dirigidas às autoridades hospitalares iranianas e às altas autoridades francesas intercedendo pela liberação de nossa colega, não deixamos de assinalar que a AMP foi convidada a participar de tais sessões e que, chegado o momento, faríamos escutar nossa voz nesse fórum internacional.
Por outro lado, para nossa participação em tal evento designamos Gil Caroz que viajou especialmente a Nova Iorque e nossa colega María Cristina Aguirre, residente em tal cidade. Uma crônica de tais sessões foi difundida pelas listas.
Logo, no período de 1 a 5 de julho – nas vésperas do PIPOL 6 - a AMP foi convidada a participar em sessões do chamado High Level Segment do ECOSOC, que ocorreram em Genebra, e que em 2013 foram dedicadas ao tema "Ciência, tecnologia e inovação, e o potencial da cultura, para promover o desenvolvimento sustentável e a realização das Metas de Desenvolvimento do Milênio".
Nesta oportunidade, designamos nosso colega François Ansermet para comparecer a tais sessões.
Em ambos os casos, tanto para as sessões de Nova Iorque como para as de Genebra, o Vice-presidente da AMP, Miquel Bassols, redigiu os respectivos textos sobre os temas a debater, buscando e conseguindo uma modalidade adequada para que pudessem ser escutados em um âmbito burocrático onde nosso discurso não será facilmente acolhido.
A conclusão que chegamos depois desta experiência, é que no futuro é necessário considerar outra modalidade de participação. Cito a seguir a sugestão feita por Gil Caroz em seu relatório ao Conselho da AMP nesse sentido: "Se queremos estar presentes neste tipo de manifestações organizadas pelo ECOSOC, seria ajuizado tentar criar nosso próprio Side event (Evento lateral). Os Side events são pequenas atividades científicas e discursivas organizadas pelas associações e ONGs ao lado das grandes manifestações formais. A vantagem dessas atividades situa-se no fato de que são anunciadas no programa do acontecimento geral, que ocorre nas dependências da ONU e para qual os participantes são convidados a inscrever-se caso o tema lhes interesse. Se chegarmos a localizar a palavra "psicanálise" no título de um side event por ocasião de um dos próximos acontecimentos, marcaríamos um ponto."
Por último, não devemos esquecer que para manter sua qualidade de ONG, a AMP deverá apresentar antes de junho de 2015 um relatório quadrienal de nossas atividades no ECOSOC. Não duvido que Gil Caroz, cuja delegação perante à ONU prosseguirá e a quem quero agradecer por todo seu trabalho - feito com dedicação e paixão durante estes anos – relembrará isso ao novo Conselho AMP.

Europa do Este
Como todos os anos, em nossas reuniões do Conselho AMP recebemos este ano a Presidente do Campo freudiano, Judith Miller e Daniel Roy, responsável pelo Secretariado para a Europa do Este. Como disse em outras oportunidades, o Conselho da AMP é sensível a este desenvolvimento e temos decidido dar-lhe todo nosso apoio. É por isso que o Conselho da AMP, decidiu em suas últimas reuniões renovar a subvenção afim de continuar contribuindo com este avanço tão importante, e ao mesmo tempo tão difícil para a Orientação lacaniana.

Representações da AMP na Argentina, Espanha e Brasil
Tal como informei durante a última Assembléia Geral, o Conselho da AMP resolveu em 2012, com o objetivo de favorecer o desenvolvimento de suas finalidades segundo consta no Artigo 2 dos seus Estatutos, a criação de uma Representação da Associação na República Argentina e designar o atual secretário da AMP, Mauricio Tarrab, como Representante legal de tal Representação.
Como disse então, esta decisão, que surgiu das consultas feitas com advogados especializados no tema e com os experts contáveis da AMP, nos permitirá regularizar as questões relativas aos fundos da AMP na Argentina, até o momento depositados nas contas da Fundação Casa do Campo Freudiano na Argentina. A representação terá assim sua própria conta e isto permitirá resolver e evitar certas confusões que tem surgido por vezes no momento da apresentação do balanço anual da AMP perante seus membros.
Os passos administrativos para obter a inscrição de tal Representação na Argentina já estão avançados e pensamos que durante este ano a Representação AMP Argentina será inscrita e começará a funcionar como tal. Esta nova perspectiva nos permitiu também avançar nas averiguações para resolver de uma maneira equivalente a situação dos fundos AMP Espanha e AMP Brasil, o que dará uma maior clareza e mobilidade aos fundos da AMP em escala internacional.
As gestões na Espanha também avançaram muito, e como Representante da Delegação Espanha da AMP (esse é o nome específico na Espanha) que residirá em Barcelona, o Conselho da AMP resolveu em 2013 designar nosso colega Miquel Bassols. As gestões avançaram tanto que hoje posso anunciar-lhes que sexta-feira passada, 11 de abril, fomos informados que a Delegação AMP Espanha foi inscrita e estará logo em funcionamento.
Em relação ao Brasil, as averiguações estão ainda em curso. As últimas informações que recebi de Angelina Harari fazem pensar que prontamente encontraremos também ali a via para uma saída.

Um novo meio, uma nova ferramenta
Como todos vocês já sabem há apenas alguns meses a Rádio Lacan está on line, a Rádio da AMP. Agradeço Jacques-Alain Miller que me sugeriu esse nome para a nova rádio, o qual evidentemente outorga à Radio da AMP uma presença indiscutível e atrativa entre os meios que circulam e se difundem pela internet.
Com sua criadora, nossa colega Liliana Mauas - a quem agradeço todo seu empenho e esforço ao sustentar esta iniciativa, bem como àqueles que a acompanham na tarefa nas diferentes Escolas -, levamos tempo suficiente para discutir e trabalhar para que este novo instrumento da AMP estivesse à altura, tanto do ponto de vista formal, técnico e estético, como de seus conteúdos, do que implica ser uma nova ferramenta da AMP aberta ao público em geral. Vejamos, por exemplo, que no fim de março, Radio Lacan já recebera 17.300 visitas…
Seguramente haverá muitas coisas a melhorar e modificar, mas o fato é que Radio Lacan já está no ar e está ganhando um lugar que deveremos cuidar, conservar e desenvolver. Considerar a dosagem do que emitimos por este novo meio será parte desse cuidado.

As Escolas da AMP
Não vou estender-me descrevendo em que ponto se encontra cada uma das sete Escolas da AMP. Vocês escutaram no início desta Assembléia as intervenções dos sete presidentes que expuseram com clareza a atualidade em cada uma delas. Somente direi algo sobre a NEL, sobre a sede Caracas da NEL. Posso anunciar-lhes com grande alegria que, depois de uma reunião que mantivemos com o Diretório provisório de tal Sede, logo a Sede Caracas retomará um funcionamento em acordo às demais sedes da NEL. Muitos anos de desencontros chegaram assim ao fim.
Também não me deterei mencionando as atividades centrais de cada uma das Escolas (Jornadas ou Congressos). Somente direi que, em todas àquelas em que pude viajar e participar – naquilo que chamei em uma ocasião de uma "política da proximidade" com a qual quis estar perto de cada Escola, em presença - pude constatar a grande vitalidade de cada una delas. Uma vitalidade que se manifesta, não somente pelo alto número de inscritos – que em geral se mantém ou aumenta significativamente -, mas também pelo incremento da presença de uma juventude interessada na Orientação lacaniana.
Deste modo, considero que – para além das diferenças e dos obstáculos que em algumas delas deverão ser interpretados para poder avançar ainda mais - a AMP, que não está feita se não por e através de suas Escolas, atravessa – como já disse - um momento de grande vitalidade, mas que necessariamente deverá ser sustentado de maneira constante com nosso trabalho cotidiano, atento e vigilante em relação aos perigos que espreitam a psicanálise na época em que vivemos. O que temos chamado– parafraseando Eric Laurent - "a batalha do autismo" é um signo disso.

Estimados Colegas, queridos amigos da AMP:
Antes de concluir, quero agradecer meus companheiros do Conselho AMP com quem sempre contei para fazer frente a uma tarefa que, como disse no inicio, não pode ser de um só. Dentre eles, em particular, àqueles que hoje, juntamente comigo, deixam o Conselho AMP. Refiro-me a Elisa Alvarenga, Pierre Gilles-Guéguen, Graciela Musachi, Philippe La Sagna, Dominique Miller e Mauricio Tarrab. A todos eles meu agradecimento, e em especial a meus queridos companheiros do Bureau. A Dominique Miller, que não somente desenvolveu um precioso e cuidadoso trabalho num âmbito tão delicado como é a tesouraria da AMP, mais ainda, devido à distância geográfica, não titubeou em trabalhar, com coleguismo, amizade e com amor pela tarefa, como Secretária em Paris. E a meu amigo Mauricio Tarrab – a quem desejo agora uma excelente gestão a frente da FAPOL - com quem intercambiamos ideais quase cotidianamente para encontrar cada vez as respostas convenientes ao que a gestão, que não é se não política, nos requereu em cada oportunidade.
Também a Eric Laurent e a Graciela Brodsky que, como ex presidente e como ex Delegada Geral da AMP, não titubearam em assessorar-me sobre alguns pontos quando lhes pedi.
E, claro, a Jacques-Alain Miller, por sua orientação sempre disposta para que a nave da AMP prossiga com o rumo que lhe convém, sem distrair-se dos seus objetivos centrais.
Por último, para concluir, quero transmitir-lhes algo, se assim posso dizer, mais pessoal. Como vocês sabem, pouco antes de assumir a Presidência da AMP decidi apresentar-me ao dispositivo do Passe, recebendo então a nomeação de AE. Desse modo, durante três anos minha função como Presidente esteve acompanhada do meu exercício como AE. Alguns colegas me diziam então se isso não era cansativo. Sempre lhes respondi que não, que de nenhuma forma acompanhar a função de Presidente da AMP com a de AE era uma sobrecarga. Muito pelo contrário, era um alívio. Porque de alguma maneira, a autoridade que havia obtido pela delegação do Conselho da AMP, encontrava na nomeação e no trabalho de ensino como AE, a possibilidade afortunada de se contrabalançar com uma autoridade surgida da própria experiência analítica, ou seja, da enunciação, e isto, longe de ser um peso, foi para mim, uma grande alegria. Foi assim então que durante estes quatro anos tentei, cada vez, operar como entendia que melhor convinha segundo as circunstâncias e os contextos. Em alguns casos, tentando "calçar" para introduzir mediações e obter aproximações ali onde a distância e a tensão trabalhavam como um obstáculo. Em outros casos, tentando "descalçar", introduzindo uma função de extimidade para desidentificar e descompletar ali onde o grupo tendia a tornar-se massa. Isso foi o que tentei. Seguramente, algumas vezes consegui. Outras, também seguramente, falhei. Mas quero dizer-lhes que o saldo que levo desta experiência sem igual que é ter presidido a Associação Mundial de Psicanálise será, para mim, inesquecível. Inesquecível porque contei desde o primeiro dia e até este momento, com aquilo que Lacan em uma oportunidade disse ser o mais valioso com que podemos contar, a confiança, neste caso, a confiança de cada um de vocês.
Muito obrigado.
Leonardo Gorostiza, Paris, 18 de abril de 2014.

 

Traductor PT: Fabíola Ramon, Paola Salinas
Revisión PT: Paola Salinas